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I HATE ROCK'N'ROLL!!!

Uma coisa que está se tornando normal pra mim é: quando me permito a ir num bar onde toca rock e o lugar é ambientado por um ódio contido à nova geração. Se converso com um tiozinho roqueiro de mais de 45 anos, ele vai afirmar ídolos como Jim morrisson, jimi hendrix e Janis joplin  na condição de semi-deuses e vai menosprezar tudo aquilo que vier depois dessa geração. A mesma coisa acontece com pessoas com mais de 30 anos e os ídolos da geração de oitenta e a juventude que viveu a época do nirvana. O meu grilo é o seguinte: fatos como esses contribuem extensamente para a estagnação do rock.

A música rock já é limitada por si só, mas aqueles que se dizem roqueiros tratam de limitar ainda mais, pré-conceituando novas tendências e, por conseguinte, se trancando num mundo para novas informações.

Pessoas vão até bares como o alcatraz, ou o piu piu (ambos no centro de são Paulo) pra ver bandas decadentes formadas por músicos que só tem a capacidade de copiar estilos, tocando covers de “clássicos do rock” (da última vez que fui tive o “prazer” de conhecer supertramp - eu morreria muito melhor se nunca tivesse conhecido!). eu posso não saber o que é o rock’n’roll, mas eu desanimei de fazer parte desse ciclo.

Ninguém nunca vai admitir que um artista é melhor que outro mais antigo. Assim como os admiradores mais puristas de formula 1 nunca vão admitir que Michael Schumacher  é melhor que Juan-Manuel Fangio, nenhum roqueiro das antigas vai admitir que os Strokes são melhores que bandas como Fleetwood Mac; ou que o Radiohead é melhor que os Rolling Stones, alguns nem vão admitir essa comparação. Tudo bem que  parece meio absurda esse tipo de relação, afinal, são duas bandas diferentes; mas esses mesmos roqueiros que criticam essa comparação, aceitam pacificamente a comparação dos Stones com os Beatles, comparação tão absurda quanto a com o Radiohead.

A verdade é que o rock não morreu porque nunca teve vida, roqueiros sempre vão ter esse tipo de pensamento. nunca fizeram e nunca vão fazer nada pra  dar vida ao rock , e é em nome dessa estagnação que eu dei este nome ao texto (apesar de eu gostar de algumas bandas de rock).

Eu até tenho um pouco de medo de ficar assim quando tiver meus trinta anos, mas como isso não é unânime, fico mais tranqüilo. Tenho pavor de pensar até que o que eu ouço poderá estar totalmente ultrapassado daqui a dez ou vinte anos. Talvez seja até esse grilo seja pq eu tenho vinte anos e ache totalmente estranho e daninho pensar desse jeito.

 

BOLA DA VEZ:MILES DAVIS-BIRTH OF THE COOL

                           CHET BAKER-MY FUNNY VALENTINE

 

Caras como esses dois aí em cima sabem como tocar o coração de um adolescente que já estava quase desiludido com alguma coisa realmente original. Apesar de serem ambos do meio do século vinte, suas músicas continuam atemporais e exalam sentimento por cada nota. Descobri eles a pouco tempo, mas não saem do meu discman até então.

Miles Davis sabe como ninguém o que é cool, e representa muito bem o que é  com esse disco. Músicas diretas e com uma pegada que os roqueiros a gerações tentam reproduzir, mas sem perder jamais o requinte e um estilo incomparável de um bom jazzista.

O outro é  um poço de tristeza! Mas aquela tristeza gostosa, aquele momento de reflexão que só conseguimos ter diante desse sentimento tão sublime. Sem firulas nem virtuosismo, muito menos alegorias, enfeites... tudo tão seco como um bom vinho deve ser! Ah, meu, na verdade o que eu tenho a dizer é: não dá pra falar, tem que ouvir!!



Escrito por Vini F. às 15h02
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